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“Oh! Que saudades que eu tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais!

Que amor, que sonhos, que flores,

Naquelas tardes fagueiras

À sombra das laranjeiras,

debaixo dos laranjais!

      Esse é um pedacinho da famosa obra “Meus oito anos”, de Casimiro de Abreu, uma dentre as várias outras declamadas no Centro Educacional Terra Santa no último dia 25. “Órfã na sepultura”, “Fábula”, de Castro Alves; “Ensinamento”, “Retrato”, “A filha da antiga lei”, de Adélia Prado; “O Túnel”, “Entardecer”, “Amor de verdade”, “Facilidade”, de Vera Regina Pereira (a autora estava presente) são algumas das quinze obras apresentadas no evento intitulado “Sementes na janela”. Na primeira vez em que foi realizado, no mês de abril, o sol permitiu aos alunos declamar os poemas nas janelas do antigo casarão das instalações do CETS. Como desta vez chovia muito, os “prodigiosos artistas do SEFRAS” criaram, com caixas de papelão, tnt e pinturas de Frei Antônio Reginaldo Ferreira um simpático cenário no palco do salão.

     
Estava presente a direção, os professores, os alunos das oficinas e funcionários. Alunos do educandário Terra Santa, frades convidados e duas emissoras de televisão também acompanharam o evento.

      A Oficina de Teatro encerrou o semestre com dez alunos, e todos já garantiram suas vagas para os próximos seis meses. Virão outros poemas, novas inspirações, arte transbordando pelas janelas, muito aprendizado nas asas da criatividade franciscana anunciando “paz e bem”.

      O evento encerrou com a atualização das palavras de Castro Alves, quando em junho de 1868 escreveu a “Fábula do pássaro e a Flor”:


Vai, Poeta... Rompe os ares,

Cruza a serra, o vale, os mares,

Deus ao chão não te amarrou!

Eu calo-me – tu descantas,

Eu rojo – tu te levantas,

Tu és livre – escrava eu sou!

                      

                      

Por Frei Jhônatha Gerber