O Centro
Educacional Terra Santa oferece aos seus beneficiados, uma oficina
de Teatro “Sementes”. No decorrer do ano de 2008, a oficina,
conduzida por Frei Jhônatha Gerber, ofm, produziu uma peça
teatral intitulada “Deserto”.
A peça conta com oito atores, alunos
beneficiados do Centro Educacional Terra Santa. Cenário, luzes,
trilha sonora, figurino e maquiagem foram meros adereços diante
da força de vontade, empenho e superação destes
jovens encantadores. A estréia foi prestigiada pelo Diretor
Geral do CETS frei Ivo Müller, pela coordenadora geral Ângela
Lourenço, confrades, familiares dos atores, funcionários,
alunos e amigos do CETS. O evento realizou-se no dia 29 de outubro
de 2008, às 19 e 30 horas no Centro de Cultura Raul de Leoni,
Praça Visconde de Mauá, 305, Petrópolis, RJ.
Jean-Yves Leloup é autor de “Deserto
Desertos”. Com inspiração em seus textos e poemas,
nasceu a peça teatral com duração de quarenta
minutos. Ela, intitulada “Deserto” oferece uma mensagem
abstrata da condição humana, da construção
e desconstrução das relações humanas.
Aborda também a dialética entre solidão e solidariedade
na travessia dos desertos da vida. O deserto esconde um segredo, cercado
de um segredo maior ainda.
Aonde se pode encontrar o silêncio,
a imensidão, o vento abrasador, a sede, as miragens, os escorpiões?
No deserto. Este pode ser de pedras e areia, como o de Hoggar, Ténéré,
Assekrem... mas pode ser o deserto do interior humano. É este
que nos interessa com o que há de doloroso e tórrido,
juntamente com sua escondida fonte, o oásis.
O deserto não é uma meta, é
uma travessia e cada qual tem a sua, rumo à terra prometida.
Algumas pessoas vivem a experiência do deserto no próprio
corpo, e que leva tempo a atravessar quando se refere a adoecer, sofrer
conseqüências de um acidente, envelhecer.
Outros vivem o deserto no coração
de suas relações, deserto do desejo ou do amor, das
secas ou dos aborrecimentos que não se aprendeu a partilhar.
Há também os desertos da inteligência,
onde o mais sábio vai esbarrar no incompreensível e
o mais consciente no impensável. Atravessando os desertos se
consegue conhecer o mundo e as suas matérias, conhecer a si
mesmo e as suas memórias.
Há finalmente, os desertos da fé,
o crepúsculo das idéias, crenças e esperanças,
que dão segurança às impotências humanas
e abafam as mais vivas perguntas.
Cada pessoa tem seus desertos a atravessar.
E sempre de novo será necessário desmascarar-lhe as
miragens, mas também contemplar seus milagres
“Não
é o pote que torna a água potável, não
é o homem que torna o homem humano”.
(Jean Yves Leloup).