O endereço
onde hoje está localizado o Centro Educacional Terra
Santa até o início do século XVIII sediava
a Fazenda de Petrópolis, que ocupava grande área
e pertencia ao Major Júlio Frederico Koeler, arrendatário
de terrenos de propriedade de Dom Pedro II, idealizador do Plano
Urbanístico da cidade e grande incentivador da vinda
de imigrantes alemães para Petrópolis.
Documentos da
Superintendência Fazendária Imperial revelam que
em 1881 a área, calculada em 38.229 metros quadrados
e 66 centímetros, passa a ter como foreiro o Frei José
Maria Dollarto. Trinta anos depois, isto é, 1911, uma
nova demarcação do terreno é feita e a
planta imobiliária da Superintendência Fazendária
Imperial mostra como proprietária da área a Obra
Pia da Terra Santa no Brasil. Naquela época, o tamanho
da propriedade foi reduzido para 12.888 metros quadrados e 92
centímetros, área existente ainda hoje.
O comissário
da Terra Santa no Brasil, Frei Alexandre I. Brid, em seu livro,
de 1895, escreve os seguintes dados:
“Para
recolher as esmolas dos fieis e remete-las à Terra Santa,
a Ordem Franciscana tem incumbidos, em todas as nações
catholicas, religiosos da mesma Ordem que estão divididos
em Commissariados chamados da Terra Santa... [...]. Petropolis
– Commissariado Geral da Terra Santa no Brasil, Rvd. P.
Fr. Alexandre I. Brid – Hospicio da Terra Santa”
(O Santo Sepulchro de Nosso Senhor Jesu-Christo, com mais algumas
noticias e appendices, pelo P. Commissario da Terra Santa: Fr.
Alexandre I. Brid, Rio de Janeiro (Typ. Leuzinger), 1895, p.
41-42).
Sabemos que
o Comissariado da Terra Santa funcionou em Petrópolis
até o ano de 1918. Nesse ano, uma grave epidemia de gripe,
após o término da 1ª Guerra Mundial, deixou
um grande número de crianças e idosos desamparados,
por terem perdido seus familiares. Essas pessoas necessitavam
de cuidados especiais e isso preocupou algumas personalidades
da sociedade petropolitana (Wenceslau Braz Pereira Gomes; Conselheiro
Rui Barbosa; Barão de Oliveira Castro; Princesa de Belford,
Herminia de Souza Sampaio; Conde de Paranaguá, Mário
Pinheiro; Conde Paulo de Frantis e muitas outras), que se mobilizaram
buscando auxílio. No dia 14 de abril daquele ano, o grupo
fundou a Associação Protetora do Recolhimento
de Desvalidos de Petrópolis. A instituição
contava com a contribuição da sociedade para a
manutenção financeira e a dedicação
das religiosas da Congregação de São José
de Chambery no atendimento diário.
Em 9 de maio
de 1919, foi lavrada no Cartório do 2º Ofício
de Justiça a escritura de compra e venda do imóvel,
tendo como vendedora a Obra Pia da Terra Santa no Brasil e como
compradora, a Associação Protetora do Recolhimento
de Desvalidos de Petrópolis.
A associação
foi aos poucos determinando seu carisma em atender somente crianças
e, sobretudo, optando pelos meninos, quando em 1969 passou a
denominar-se Casa dos Meninos de Petrópolis. Atendendo
em regime de internato, esse trabalho permaneceu até
1989, quando, para melhor se adequar às necessidades
dos usuários, passou para o regime de semi-internato.
A partir de
1998, a Província Franciscana da Imaculada Conceição
do Brasil passou a fazer parte, ainda que indiretamente, do
trabalho desenvolvido pelo CETS. Naquele ano, elegeu-se nova
diretoria, tendo como presidente o Frei Johannes B. Bahlmann.
Toda a equipe de coordenação foi renovada. As
Irmãs Franciscanas de Siessen e frades estagiários
(estudantes do Instituto Teológico Franciscano) começaram
a trabalhar em busca de resgatar o carisma inicial de atender
crianças e adolescentes desprovidos dos direitos básicos
da vida.
No início
de 2001 foi aprovada a mudança do nome para Centro Educacional
Terra Santa. Após um levantamento sobre a realidade socioeconômica,
a instituição montou um novo plano de atuação,
composto de dois projetos sociais: Aquarela (atende crianças
de 5 a 12 anos em horário complementar com atividades
educativas) e o Cultura pela Paz (adolescentes na idade de 12
a 18 anos com oficinas educativas e profissionalizantes).
Em 2005, o Centro
Educacional Terra Santa começou a trabalhar com uma creche
com capacidade de atendimento para 72 crianças, com faixa
etária de oito meses a 5 anos.
Também
em 2005, a Província Franciscana da Imaculada Conceição
do Brasil assumiu, financeiramente, o Projeto Cultura pela Paz,
considerando o trabalho uma experiência até que
todo o Centro Educacional Terra Santa fosse assumido. O período
de transição terminou em dezembro de 2007. Em
janeiro de 2008, o CETS passou a integrar as obras que compõem
o Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras) da Província
Franciscana. Mas o dia que marca, oficialmente, a incorporação
do Centro Educacional pela Província é 26 de março
de 2008, quando foi realizado um evento reunindo ex-sócios
beneméritos do CETS; personalidades petropolitanas; funcionários
do Centro Educacional; o secretário de Economia e Administração
de Bens da Província, Frei Mário Luiz Tagliari;
o animador provincial do Sefras, Frei José Francisco;
o ex-presidente do CETS, Frei Ivo Muller; o ex-vice-presidente
do CETS, Johannes Bahlmann, e frades professores do Instituto
Teológico Franciscano. A partir de então o coordenador
do Terra Santa foi Frei Ivo Müller, o qual exerceu sua
função até dezembro de 2009.
Devido a um
série de necessidades, atualmente o Centro Educacional
Terra Santa é formado por diversos sócios membros
da Província Franciscana da Imaculada Conceição
do Brasil, e tem como Diretor e Presidente Frei Antonio Moser.
Além dos frades, há uma equipe da diretoria executiva
composta também por pessoas da sociedade.
No terreno ocupado
pelo CETS estão também a Capela de Nossa Senhora
Imaculada Conceição e o Educandário Terra
Santa, escola mantida pela Secretaria Municipal de Educação
para crianças matriculadas em turmas de E3 (antigo pré-escolar)
ao quinto ano de escolaridade (antiga quarta série primária).